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Mais brincar livre e menos diagnóstico

03/03/2020

Seguidamente nos deparamos com adultos comentando sobre como o nosso tempo de infância era bem diferente da infância atual. Os lugares onde brincávamos, os tipos de brinquedos com os quais interagíamos, a convivência com os amiguinhos, entre outras especificidades de décadas já passadas.

Sim os tempos mudaram. As crianças já não se parecem mais com aquelas de tempos atrás e o contexto no qual as mesmas vivem é este mesmo em que hoje nós adultos vivemos. Em um tempo apressado, corrido, onde as mudanças acontecem em uma velocidade que chega a assustar.

Apesar de todas essas mudanças, as necessidades básicas das crianças continuam sendo as mesmas: cuidados com a alimentação, a higiene, o sono, a oferta de um ambiente rico de estímulos, de afeto, de proteção, de regramentos e a possibilidade de brincar.

Precisamos encontrar formas para garantir um desenvolvimento sadio às crianças de hoje, para que assim talvez possamos diminuir os índices de crianças diagnosticadas tão precocemente com as mais diversas dificuldades: hiperatividade, agitação, falta de limites, agressividade, falta de concentração, entre outros.

Porque geralmente quando uma criança recebe um destes nomes, um destes rótulos, logo se pensa em uma solução milagrosa para a cura de tais dificuldades. E no mercado farmacêutico já se encontram disponíveis inúmeras drogas que tem a incumbência de readequar crianças “desajustadas”.

Não entraremos no mérito do uso ou não da medicação. O que vale a pena pensarmos aqui é o quanto podemos prevenir o surgimento de dificuldades na vida de uma criança e dessa forma a pouparmos de um sofrimento que é desnecessário: o de carregar um nome extra, um rótulo que irá lhe diferenciar das crianças consideradas saudáveis e “normais”.Já sabemos, pelas inúmeras informações falando a respeito, que vídeo game, televisão, tablets e celulares não são brinquedos adequados para a infância. E que crianças que brincam apenas com estes “brinquedos” acabam apresentando diversas dificuldades em seu desenvolvimento. Pode até ser mais fácil para o adulto fazer estas ofertas para a criança, mas vale lembrar que criança é movimento e se o movimento não fizer parte da sua vida, as conseqüências virão, mais cedo ou mais tarde. Brincar de correr em um parque. Andar de bicicleta. Fazer um piquenique com a família. Brincar de esconde-esconde, jogar bola, inventar um brinquedo com materiais descartáveis que se tem em casa. Brincar na terra e na areia. Fazer uma trilha no parque. Se sujar. Nada disso requer investimento financeiro e é tudo o que uma criança precisa para ser feliz. Mais tempo para brincar e brincar ao ar livre...

Laura Cristina Nardi

Psicopedagoga

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